Sunday, July 30, 2017

Parque Nacional de Itatiaia

Paisagem de altitude, que poucos brasileiros conhecem

Paulo César Boggiani
(10 a 17 de julho de 2017)

Por volta de 70 milhões de anos atrás, gigantesca massa de magma quente e fundente se instalava na crosta, comunicando-se com a superfície através de um vulcão de 4 a 5 km de altura, ou até mais. Na parte mais profunda, o resfriamento se dava de forma mais lenta, com tempo para formação de cristais com alguns milímetros. A placa da América do Sul se distanciava da África e o Oceano Atlântico se formava.
Neste processo de separação de placas tectônicas, antes unidas, a borda da América do Sul se levantou, e foi e vem sendo erodida até  a situação atual, formando a Serra do Mar. No fundo do Oceano, na região costeira, formavam-se bacias sedimentares e suas imensas reservas de petróleo e gás dos campos do Pré-Sal. Continente adentro, o relaxamento da crosta provocou abatimento de blocos de rocha, limitados por falhas. Um desses, rebaixado, é serpenteado pelo Rio Paraiba do Sul, a caminho do Rio de Janeiro. A oeste deste rio, levantou-se outro bloco imenso, que veio formar a Serra da Mantiqueira, região elevada que tem os maciços do Passo Quatro e de Itatiaia, como suas maiores altitudes, entre as mais altas do Brasil, acima de 2 500m.

Vista da Serra do Mar, mais elevada ao fundo, a partir do mirante do Último Adeus. Abaixo da Serra do Mar, entre essa e a Serra da Mantiqueira, onde se encontra o Maciço de Itatiaia, nota-se a porção rebaixada, na forma de graben (bloco tectônico abatido e limitado por falhas), por onde passa o Rio Paraiba do Sul. Na foto nota-se Represa do Funil.



Esquema Geológico do livro clássico Geologia Geral de Leinz & Amaral (1989).

As rochas alcalinas, que formam os maciços mais altos, não seriam mais resistentes do que as que as envolvem, os gnaisses da Serra da Mantiqueira, até porque o provável vulcão que ali existia, teria sido bem mais elevado. Isso faz pensar que os maciços são assim tão altos por terem se formado há pouco tempo, tendo em mente a escala do tempo geológico, uma vez que as rochas que o circundam têm mais de 600 milhões de anos, enquanto as dos maciços apenas entre 60 e 70 milhões de anos.
As rochas alcalinas que formam o maciço de Itatiaia são chamadas de sienito e nefelina-sienitos e se diferem dos granitos por apresentarem pouco ou nenhum quartzo, mineral resistente ao desgaste físico (devido à dureza) e ao intemperismo químico. Por serem rochas com muito feldspato, são rochas propícias à formação de bauxita, minério de alumínio, através da ação do intemperismo, por isso rochas de interesse econômico.
A parte central do maciço tem  mais quartzo e granulação mais grossa devido, provavelmente, se encontrar no centro da antiga câmara magmática. São essas que formam as partes mais altas do Pico das Agulhas Negras e Prateleiras. Nesse local da câmara magmática, antes em profundidade, o magma se resfriava mais lentamente, dando tempo para formação de cristais maiores, ao contrário da borda, onde o resfriamento rápido solidificou o magma e, por isso, a rocha tem cristais menores.
As rochas acima da câmara magmática foram, ao longo de dezena de milhões de anos, sendo desgastadas pela erosão, acelerada pelos processos tectônicos de soerguimento da Serra da Mantiqueira, associados à separação continental. Desta forma, as rochas formadas na parte mais profunda da crosta, afloraram na superfície e passaram a compor o relevo da região moldados pela ação integrada entre vegetação e clima, numa interação sistêmica – é o Sistema Terra em funcionamento. Essa interação funciona de forma distinta entre a parte alta e baixa do maciço,  e é possível ver essa transição, por volta de 1 800 m, no Hotel do Ypê, um pouco abaixo do complexo das cachoeiras, ao final da estrada interna da parte baixa do parque.
Os maciços rochosos encontram-se fraturados, resposta dos movimentos na crosta sob rochas já solidificadas. As fraturas formam, em profundidade, blocos geométricos, de faces planas, posteriormente arredondados. Esses arredondamentos deve-se a um processo chamado de esfoliação esferoidal. Esse processo pode ser visto no caminho para as prateleiras, onde o intemperismo é mais acentuado nos vértices dos blocos, de forma intermediária nas arestas e menor nas faces, justamente devido à diferentes áreas área de exposição da rocha frente ao ataque químico, maior nos vértices.




Processo do intemperismo nas rochas de Itatiaia, na estrada para as Prateleiras, agindo com mais intensidade nas fraturas.




Processo de formação de blocos arredondados pelo intemperismo em rochas previamente fraturas, denominado “esfoliação esferoidal”, que dá o aspecto de cebola se desfazendo em camadas concêntricas. Extraído de https://www.geocaching.com/play


Na parte baixa do parque, podemos ver a exuberância da Mata Atlântica, na parte alta, no planalto, em tão curta distância, paisagem tão distinta, resposta da altitude, que proporciona a formação de campos tão característicos.Na parte baixa, o clima mais quente proporciona maior alteração das rochas e solos mais espessos, o que leva ao desenvolvimento da mata fechada, com algumas araucárias e repleta de palmeiras de palmito jussara. No alto, sob clima mais frio, a alteração das rochas e formação de solo é mais lenta, mas suficiente para, através da dissolução da água que escorre pelas rochas, formar caneluras, muitas delas que dão o nome ao pico de Agulhas Negras. A vegetação, de campo de altitude, é bem diferente do que se conhece pela região e abriga espécies vegetais raras e endêmicas do famoso flamenguinho, anfíbio que é o símbolo do parque.
Entre os animais no parque, as cobras são raras e a região é muito procurada pelos observadores de aves, com lista de observação de 384 espécies, com abundância dos tico-ticos, segundo texto do plano de manejo do parque. Consta que a trilha dos Três Picos, na parte baixa, é muito boa para observação de aves. É muito comum ver jacuaçus  circulando pelas estradas, com seu característico papo vermelho. Esses, em quantidade, são tratados como animais de estimação no Hotel do Ypê. A região apresenta também jaguatiricas, raposas e lobo-guará e facilmente se observa bandos de macacos pregos.
Não se imagina paisagem tão distinta em região tão próxima ao eixo São Paulo – Rio de Janeiro, paisagem que lembra, com seus campos entre rochas expostas, às das Highlands da Escócia. Toda essa diferença, em espaço relativamente curto, deve-se à altitute, proporcionada por rochas ainda jovens, geologicamente falando, ainda não totalmente erodidas, como as demais ao redor do maciço.
O que chama a atenção, na parte alta, são as exposições rochosas com suas ranhuras e caneluras. Essas ranhuras são chamadas de lapiás, e muito comuns em rochas calcárias, devido à dissolução da rocha pela percolação da água, cuja acidez é acentuada pela matéria orgânica, mais comum na parte alta, preservada pelo frio, formando depósitos de argila preta, conhecidos como turfa. Nota-se, também, na subida para o Pico das Agulhas Negras, inúmeras “bacias” na pedra,  denominadas marmitas, também devido à dissolução.


Ranhuras ou caneluras (lapiás) na rocha alcalina (nefelina sienito), originadas pela dissolução da rocha pelas águas.

As caneluras, ou lapiás (termo mais técnico), proporcionam as escaladas nas faces das rochas.



As depressões circulares, mais frequentes nas partes menos inclinadas da rocha são denominadas kamenitzas,  e as caneluras lapiás, segundo Talim & Bueno (2014, Revista Brasileira de Geomorfologia, 15(3):327-338), em estudo dessas feições cársticas (nome dado ao relevo de rochas dissolvidas pelas águas, mais usualmente empregado para regiões calcárias, com cavernas).



A parte alta do Planalto tem como referência o abrigo Rebouças, casa rústica de pedra, referência para muitos excursionistas e alpinistas, ao lado do qual se pode acampar. O abrigo recebeu esse nome em homenagem ao engenheiro e Abolicionista André Rebouças, nome também de importante avenida na cidade de São Paulo.
André Rebouças participou da expedição juntamente com a Princesa Isabel e seu marido Conde D´Eu. Foi um dos primeiros a propor a preservação da região, seguido de outros, como Santos Dumont, até que o parque foi criado, por Decreto do Getúlio Vargas, em 1937. André Rebouças fez essa proposta em 1876, quatro anos após a criação do Parque de Yellowstone nos EUA, o primeiro dessa categoria no mundo.
André Rebouças pode ser considerado como um dos primeiros a ter o raciocínio do desenvolvimento sustentável, hoje tão propagado, ao se pronunciar pela criação de parques nacionais em 1876 – pois, segundo ele, “a geração atual não pode fazer melhor doação às gerações vindouras do que reservar intactas, livres do ferro e do fogo, as belas ilhas do Araguaia e do Paraná”, ao propor outras áreas para preservação, além de Itatiaia.
Mas a história de Itatiaia passa pela fase das colônias agrícolas. No início dos anos 1900,  áreas da parte baixa foram adquiridas pelo governo, cujo proprietário era filho do empreendedor Visconde de Mauá, para esse fim, junto com a criação da Colônia Visconde de Mauá.
As colônias, principalmente a de Itatiaia, não se desenvolveram e lotes foram vendidos para estrangeiros que, ao invés da empresa agrícola, optaram pelo turismo, montando hotéis, alguns ainda hoje em atividade, como o Hotel do Ypê (um doas mais altos a 1 250m), o do Donati e o Aldeia dos Pássaros. O Hotel Simon, tradicional na região, foi desapropriado recentemente pelo Instituto Chico Mendes de Biodiversidade – ICMBio, órgão federal que administra o parque, onde se pretende criar uma instituição de ensino.


Foto antiga do atual abrigo Macieiras, que recebe esse nome em referência às frutíferas ali plantadas pelos europeus da antiga Colônia Itatiaia, com mudas trazidas da Europa. Esse foi o caminho original para a parte alta, antes da estrada, hoje conhecido como trilha Ruy Braga. Foto extraída de http://ruicamejo.blogspot.com.br/2008/06/hoje-4-de-junho-o-ncleo-colonial-de.html



Usina hidrelétrica de 1939 às margens do Rio Campo Belo para a Colônia Agrícola. A casa, em ruínas, pode ser vista ainda na Pousada Aldeia dos Pássaros.

Antes da criação do parque,  e após o insucesso da colônia agrícola, a área foi uma reserva biológica, instituída em 1927, vinculada ao Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Por pressão do Botânico Loefgren e de manifesto ocorrido durante Congresso  de Geografia, no Rio de Janeiro, Getúlio Vargas criou o primeiro parque nacional no Brasil, em 1937, com área aproximada de 13 000 hectares, categoria criada com a instituição do Código Florestal em 1934.
Antes da criação do Parque Nacional de Itatiaia, iniciativa de preservação se deu com a criação de reserva ambiental, no Acre, em 1911, ao longo do Rio Purus, exclusivamente para preservação da floresta, sem o a ideia de um parque, onde se pensava visitas turísticas.
O turismo foi pensado no processo de criação do Parque Nacional de Itatiaia, tanto que o decreto de criação previa, para os colonos da parte baixa, o arrendamento de suas terras para hotéis e hospedagem. Isto explica, em parte, a complexa situação fundiária que ali se encontra. A ampliação da área do parque se deu em 1982, para a área atual de 28 000 hectares.

Portão de entrada da Reserva Florestal do Itatiaia, vinculada ao Jardim Botânico do Rio de Janeiro, antes da criação do parque.  http://jbrj.gov.br/jardim/historia

Nos seus primórdios, o acesso ao parque se dava apenas pela parte baixa, passando pela cidade de Itaiaia, até uma boa estrutura da sede, que virou museu, e hoje é o centro de visitante, onde foi recentemente inaugurada interessante e bela exposição sobre o parque.
Os interessados na região acessavam a parte alta por trilha, que quase virou estrada contínua para cortar o parque, de sudeste a noroeste, ligando a parte baixa à parte alta. Por essa trilha subiram as primeiras expedições, entre elas a da Princesa Isabel, que certamente chegou na base do Pico das Agulhas Negras, mas sem informações precisas se teria ou não atingido seu cume.  Demais personalidades também estiveram na região como Burle Marx, Vinicius de Moraes e o pintor pintor Alberto da Veiga Guignard, que se hospedavam no Hotel Donati . É de se imaginar a surpresa de, ao subirem pela mata fechada, da hoje denominada trilha Ruy Braga, observarem a transição para os campos e – de repente – se depararem com os imponentes maciços de pedra sulcadas das Agulhas Negras e Prateleiras, meio a um campo, que dizem, intensamente florido na primavera. No verão, a parte alta é pontilhada pelas perececas pretas de ventre vermelho que, devido às cores, são chamadas “flamenguinhos”.


Detalhe do anfíbio “flamenguinho”No inverno, hibernam, enterrados no solo e sedimento e, por esse motivo, vistos apenas no verão. Foto extraída de http://www.itamonte.net/portal/curiosidades-sobre-o-sapinho-flamenguinho/

A parte alta do Parque passou a ter acesso de carro  com a construção da BR 485, que tem início na Garganta do Registro, no alto da estrada que liga Engenheiro Passos a Itamonte. Essa garganta, cujo nome se deve ao fechamento dos morros, no alto do divisor de águas, foi escolhida para ser um posto de fiscalização, nos tempos do Brasil Colônia, para os que transportavam ouro para a baixada, na região de Parati, rumo à Portugal, depois de conferido o pagamento dos quintos (imposto de 20% de todo ouro extraído, pago para a Coroa Portuguesa). Daí teria vindo a expressão tão comumente usada “quintos dos infernos”, além de outra, que aprendi com o condutor ambiental que nos conduziu ao cume das Agulhas Negras – “lavar a égua”. Essa, é usada ainda hoje com forma de expressar alguém que se deu bem financeiramente. Sonegadores espalhavam o ouro em pó fino pelo couro dos muares, usado no transporte, junto com as barras fundidas nos postos oficiais, com o carimbo colonial atestando o pagamento do “quinto”, e depois do registro, lavavam os animais sobre um pano estendido, para coletar o ouro não taxado, mostrando, assim, que a prática de sonegação já vem de longa data.
A abertura dessa nova estrada, BR- 485, hoje chamada Rodovia das Flores, inaugurou nova fase do parque, recheada de fatos históricos. A intenção dessa estrada, considerada como a de maior altitude do Brasil, era cortar o parque, passando pelo abrigo Rebouças e descendo pela parte sudeste. A estrada não foi terminada, mas tem trechos ainda asfaltados, no caminho para as Prateleiras e, na parte baixa, e guarda-corpos de concreto, demonstrando que carros subiam até onde hoje há construções abandonadas, como a do antigo hotel Macieira. A estrada é transitável apenas da Garganta do Registro até o abrigo Rebouças, passando pelo Posto 3, entrada do Parque, de onde a estrada é bem pedregosa e, no verão, fechada para carros, devido a reprodução das pererecas “flamenguinho”. Esse trecho é também limitado ao trânsito de 12 carros por dia. Passado esse limite, o carro tem que ser deixado no estacionamento ao lado do Posto 3 e o trajeto, até o abrigo Rebouças (2,5km), tem que ser feito a pé, num passeio agradável, em declive negativo suave, de 40 minutos, que permite conhecer bem a paisagem de campo de altitude.
A ligação entre a parte baixa do parque e parte alta tem 68 km de distância e leva-se, de carro, por volta de 1h30m.

Parte da estrada que liga o Posto 3 (Posto do “Marcão”) ao Abrigo Rebouças.



Vista do alto do Pico das Agulhas Negras para o abrigo Rebouças, com a estrada para o Posto 3 (Posto “Marcão”), à direita da foto. Ao fundo, vista do Maciço do Passa Quatro, onde se localiza a Pedra da Mina(2798 m de altitude), considerada, recentemente, 7 m mais alta do que o Pico das Agulhas Negras (2791 m), através de reavaliações feitas pelo IBGE e IME (Instituto Militar de Enghenharia) em 2004 e 2015. (sobre essa questão ver https://pt.wikipedia.org/wiki/Pico_das_Agulhas_Negras).


A parte alta do parque, considerada uma das mais frias do Brasil, é sujeita à queda de neve, sendo frequente as geadas e água congelada  pela madrugada e manhã. A foto acima, da nevasca de 1985, da estrada para o abrigo Rebouças é de http://www.itamonte.net/portal/agulhas-negras-sera-que-este-ano-neva-no-pico/


O Posto 3, recentemente chamado de Posto “Marcão”, é homenagem póstuma ao funcionário Marco Antônio Moura Botelho, naturalista auto didata, que auxiliou em inúmeras pesquisas na região, serviço exemplar e combatente do Previ Fogo, quando teve seu braço seriamente ferido, gerando sequelas para o resto da vida, constando dos agradecimentos em inúmeras teses e dissertações. Boa iniciativa do ICMBio ao valorizar seus funcionários.


Posto 3, no interior do parque, recentemente batizado de Posto “Marcão”, onde é feito o registro e controle de entrada de veículos e visitantes e, também, pagamento do ingresso (o ingresso pago na portaria 1, na parte baixa, vale para todo o parque e vice-versa). Ponto de encontro dos condutores ambientais para visitação. Sobre os valores dos ingressos, variável conforme o dia da semana, ver site do ICMBio. Há preço diferenciado para os moradores dos arredores, reduzido a R$ 3,00 por pessoa.

A estrada da parte alta foi construída antes da criação do parque em 1937. Os abrigos Rebouças e Massena foram construídos em 1950,  homenageados com o nome do engenheiro baiano abolicionista e o segundo, também engenheiro, que teria tentado subir o Pico das Agulhas Negras, em 1856, sem sucesso. É da mesma época a construção da “Casa de Pedra”, ao lado da represa do Brejo da Lapa, hoje colmatada com a vegetação.  A Casa de Pedra foi construída para hospedagem, atualmente para pesquisadores, e muitos dizem ter sido usada por Getúlio Vargas como refúgio. Face às tendências nazistas que a história demonstra que teria tido, teria se inspirado no “Ninho da Águia”, casa na Bavária, usada pelo Hitler. Mas há poucas constatações de que Getúlio tenha estado lá mais do que duas vezes, sendo uma na inauguração do parque, e até mesmo se, algum dia, um hidroavião tenha pousado na represa próxima, construída para gerar energia para a casa. Matérias em jornais mencionam, também, que Getúlio teria ali se refugiado na revolução de 1932, mas também não há comprovações disso, já que, durante o conflito, não teve essa necessidade.
O frio da região e dificuldades de acesso proporcionam especulações sobre a região ter sido esconderijo de nazistas, fugidos com a derrota na guerra e ao fato, também, de se ter, na região, muitos colonos europeus. Dizem alguns, que nazistas se refugiaram no antigo hotel Alsene, hoje abandonado, próximo ao Brejo da Lapa, onde a represa, dizem, ter sido construída para pouso de hidroavião.  O uso desse tipo de aeronave, no entanto, remete a outras histórias nazistas, ao trazer a lembrança do uso deste na represa Guarapiranga, em São Paulo. Essa aeronave era pilotado pelo filho do aviador, nascido na Letônia, Herbert Cukurs que, em 1965, foi levado para uma emboscada e executado  no Uruguai pelo Mossad – serviço secreto israelense, acusado de ter colaborado com o regime nazista, quando da invasão da Letônia.
A história de nazistas na região tem também como marco a celebração, póstuma, dos setenta anos do ditador nazista, em hotel na parte baixa, em Itatiaia, no Hotel Tyll, em 20 de abril de 1978. Essa festa teria sido usada como armadilha para prender o carrasco Gustav Franz Wagner, conhecido como “a Besta de Sobibor”,  que, depois de solto, teria se suicidado, ou assassinado como pensam outros em Atibaia. O que demonstra que a presença nazista na região, não seria apenas especulação, como parece ser a presença do Getúlio Vargas na região.
Outro presidente que passou pela região foi Juscelino Kubitschek, primeiro como tenente-médico das tropas legalistas, contra os revoltosos paulistas em 1932 , depois já como presidente, frequentava um sitio na região, mas fora do parque até sua morte, em 1976, na região, na Rodovia Dutra, em trecho próximo à cidade de Resende, no km 165. O veículo opala onde viajava teria batido de frente num caminhão que vinha no sentido contrário, depois de perder o controle e invadir a pista oposta. Fato pouco noticiado na época, sob restrição da censura da Ditadura Militar, voltou recentemente aos noticiários, durante os trabalhos da Comissão da Verdade, devido à suposição de um possível tiro dado no motorista do Opala, revelado pela autópsia póstuma, quando verificaram um orifício no crânio do motorista, mas depois constatado ter sido provocado por um prego  do próprio caixão.
Outro fato histórico na região são as construções no parque, projetadas pelo arquiteto Angelo Alberto Murgel (1907-1978), responsável também por edificações nos Parques Nacionais da Serra dos Órgãos e do Iguaçu, criados logo depois, em 1939. Sua visão paisagística previa a harmonia com a paisagem, daí o uso de pedras da região, e era conhecido por procurar a opinião de outros profissionais como zoólogos, botânicos e demais  arquitetos e engenheiros e paisagistas no planejamento dos prédios e vias de locomoção, para que fossem funcionais. O arquiteto Murgel foi responsável, também, pelo campus Universidade Rural do Rio de Janeiro (Seropédica), em 1938, considerado um dos mais harmoniosos do Brasil.
O parque é cortado  por dois rios principais, ambos com nascente nas proximidades do Pico das Agulhas Negras, seu ponto mais elevado. O Rio Campo Belo, que forma o complexo de cachoeiras da parte alta, de nome Maromba (mesmo nome da localidade da cachoeira do Escorrega, na região de Visconde de Mauá, do lado oposto), tem sua nascente próxima ao Posto 3, e desce em vale plano, até próximo às Prateleiras, até cair em desnível mais abrupto. Através desse vale que se encontra parte da antiga estrada, hoje trilha Ruy Braga, de 22 km, que alguns fazem sem pernoite, em 10h de caminhada, descendo. Outra opção é acampar no abrigo Massena, ou Macieiras, ambos em ruína, ou seguindo por ramal secundário à trilha, no sentido de antiga antena repetidora da TV Globo, em alojamento do parque (Casa Água Branca).


Vista do alto do planaldo (parte alta), com o vale do Rio Campo Belo passando entre o Pico das Agulhas Negras e Prateleiras, para descer, em maior declive (parte superior da imagem), pela trilha Ruy Braga.  Extraido de http://www.abaixodezero.com


Vista do Córrego Campo Belo, que corta o parque de Norte para Sul, no sentido da cidade de Itaiaia. Suas nascentes encontram-se próximas do Posto 3 (Posto “Marcão) e é acompanhada pela Trilha Ruy Braga. Acima, na foto, no início da parte mais inclinada, encontram-se as cachoeiras da parte baixa do parque.
                                                                                                                                                              

Trajeto das trilhas que dão acesso às cachoeiras da parte baixa, da região da Maromba, fim da trilha Ruy Braga. Foto da placa no núcleo Maromba.

Outro rio que corta o parque, e marca outra travessia, é o Rio Preto, que passa por Maringá e Visconde de Mauá, divisa dos estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais. Pelo Rio Preto, passando pela cachoeira do Rio Airuoca, seu afluente, temos a trilha do Rancho Caído, também com início no Abrigo Rebouças, com 27 km, onde se faz em dois dias, com pernoite na Pousada da Dna Sônia. Paralelo à essa trilha, mas pegando a outra margem do Rio Preto, praticamente uma grande volta ao norte, passando pelo vilarejo de Serra Negra, em trajeto mais longo, tem-se a opção da trilha da Serra Negra, com 32 km.
As travessias exigem logística de condução. Um taxi da rodoviária de Itatiaia ao posto 3, na parte alta do parque, fica ao redor de R$ 200,00. O condutor Evandro Azevedo (contatos no final do texto), organiza um pacote para fim-de-semana, para a mais longa (a da Serra Negra, de 32 km), ainda ativa rota de tropoeiros, com condução, pernoite e refeições e o serviço de condução por R$ 450,00 por pessoa, com saída de Resende ou Itatiaia, onde se pode deixar o carro.
Além dessas três travessias, sendo a do Rancho Caído, entre o Abrigo Rebouças e Mauá, a mais frequentada, o parque tem trilhas que podem ser feitas em um dia, algumas conjugadas com pequenas escaladas. É possível atingir a base do Pico das Agulhas Negras, Prateleiras e Couto sem guia. Mas para as trilhas com escaladas, recomenda-se ir com um condutor preparado e equipado. A atividade fica mais rica com o condutor, que nos fornece boas dicas, além de informações e histórias da região, como a sugestão de fazer a travessia, de um dia, entre Couto, perto do Posto 3, e Prateleiras, acompanhando a borda do maciço de rochas alcalinas. Ainda na parte alta, há a opção da trilha dos cinco lagos.
As escaladas têm limite de visita por dia. Aos fins de semana e feriados são muito concorridas, o que faz alguns condutores dormirem no carro, para bem cedo, fazerem a reserva, que é feita diariamente no Posto 3.



Atrativos do parque na parte alta, em mapa no centro de visitantes.




Atrativos do parque na parte baixa, em mapa no centro de visitantes.


Na parte baixa, procurada pelas cachoeiras, há trilhas mais curtas, inferiores a mil metros, às piscinas e cachoeiras e a trilha mais longa, dos três picos, com início próximo à Pousada do Ypê. Há condutores ambientais que acompanham as observações de aves.


Informações sobre a trilha dos Três Picos, na parte baixa, indicada para observação de aves.


Recentemente, uma opção a mais de visita ao parque, para cadeirantes e pessoas com dificuldade para andar, foi proporcionada pela iniciativa da “montanha para todos”, com a criação da cadeira adaptada, chamada carinhosamente de “Juliete”, a qual se pretende espalhar pelas trilhas e montanhas do Brasil.


Cadeira adaptada para trilha da iniciativa de WWW.montanhaparatodos.com.br




Foto de divulgação do trabalho, extraído do site http://montanhaparatodos.com.br/


O Parque Nacional de Itatiaia, apesar do reduzido número de funcionários, por volta de duas dezenas apenas, mais os funcionários terceirizados, tem se mostrado em boas condições, trilhas limpas e bem cuidadas e sinalizadas, apesar do número relativamente alto de visitantes, principalmente na parte baixa, à procura das cachoeiras. É um dos parques no Brasil mais preparado para visitação, comparado aos demais, e demonstra a iniciativa do ICMBio de proporcionar o acesso público às áreas naturais, além de reforçar o trabalho dos condutores ambientais locais.

O trabalho dos condutor ambiental local (CAL), valorizado pelo ICMBio, é fundamental para enriquecimento e segurança da visita, além de colaborar com o parque e proporcionar emprego e renda para a comunidade local.


Integrado, mas separado do parque, temos a região de Visconde de Mauá, onde se encontram três pequenos lugarejos bem turísticos, pertencentes a três municípios diferentes: Maromba, onde se localiza a Cachoeira do Escorrega, pertencente ao Município de Itatiaia, Maringá, cortada pelo Rio Preto, metade pertencente ao mesmo município do Rio de Janeiro e outra ao de Bocaina de Minas, já em Minas Gerais, e Visconde de Mauá, pertencente à Resende. Essas localidades passaram a ser mais conhecidas na década de 1970, devido à presença de hippies, que acabaram por promover o turismo na região. Foi cenário do romance “O Coiote”, famoso entre os jovens na época, do psiquiatra Roberto Freire e suas teses, não ortodoxas, que levaram a criação da Somaterapia, definida como uma terapia pedagógica libertária, de fundamentos anarquistas. Nessa região, nos limites do Parque Nacional de Itatiaia, foi criado o Parque Estadual da Serra Selada, em junho de 2012, com sede em Visconde de Mauá, o que pode incrementar ainda mais o turismo de natureza na região.

Dois mundos diferentes, paisagens e interações distintas em espaço tão pequenos. Conjunções de acasos, desde um projeto agrícola com europeus, fugindo da miséria, até intentos preservacionistas. O Parque Nacional de Itatiaia é marcado pelos constrastes, separados apenas pelas altitudes, palco de fatos históricos, proporcionados por uma intrusão alcalina em passado geológico nem tão remoto assim.


- Opções de hospedagem
Dessa vez, não ficamos acampados, receosos do frio. Alugamos uma excelente casa pelo Airbnb – que fica como dica (fotos abaixo).

Casa alugada pelo Airbnb – Sítio Córrego Alegre. https://www.airbnb.com.br/rooms/902094?location=Itatiaia



Casa alugada pelo Airbnb – Sítio Córrego Alegre. https://www.airbnb.com.br/rooms/902094?location=Itatiaia

Outra boa opção de hospedagem, na parte baixa, é o Hotel Donati, antigo hotel,  onde Vinicius de Moraes se hospedava.


Foto da inauguração do Hotel Repouso de Itatiaia em 1931, antes da criação do parque, hoje Hotel Donati.



Biblioteca do Hotel Donati, em parte reservada à memória dos primórdios do turismo na região, antes da criação do parque, quando tinha o nome de “Recanto de Itaiaia”, hoje nome de seu fundador.
É possível acampar na parte alta- no camping do parque, ao lado do Abrigo Rebouças. Outra opção, na parte alta, é acampar no Camping e Pousada dos Lirios em Vargem Grande, mas tem que pegar um desvio, perto da Casa de Pedra, e descer 4 km em estrada ruim, até Vargem Grande.


Área de camping próxima ao abrigo Rebouças, com reservas pelo site do ICMBio.


Vista da estrutura de apoio ao camping, com banheiro e refeitório. O camping está estruturado para barracas pequenas, do tipo iglu, não as grandes com cozinha, não tendo nem espaço para esse tipo de barraca.


Tendo em mente que  - no inverno - como em 1985, pode nevar!

Em Maringá, perto da cidade de Visconde de Mauá, vimos uma boa opção de camping, o Santa Clara, cujo dono – Sr. Eurico Muniz - mora no local – e é quem geralmente recebe os campistas. Camping bem sossegado, a R$ 35,00 o valor por pessoa.


Vista do gramado do Camping Santa Clara, em Maringá (Visconde de Mauá), com banheiros com água quente (aquecimento central), mas sem cozinha e geladeira, mas o vilarejo é próximo para compras.

Registro de nossa chegada ao cume do Pico das Agulhas Negras, juntamente com o condutor Evandro. Imagem, ao fundo, das Prateleiras.



Nosso condutor ambiental local e guia de Montanha Evandro Azevedo. A placa de alerta, deveria incluir a recomendação de apenas seguir, a partir desse ponto, acompanhado de um condutor cadastrado.





O uso de mapa (Folha 1: 50 000 Agulhas Negras do IBG), ajuda entender a geografia da região. Vejam a atenção das meninas....




Referências sobre determinadas informações no texto e fontes de informações adicionais



- Informações sobre trilhas e escaladas no Parque Nacional de Itatiaia (baixar folder)
http://www.icmbio.gov.br/parnaitatiaia/images/stories/78_Anos/O_Primeiro_Parque_do_Brasil.pdf
http://partiucidades.blogspot.com.br/2016/07/itatiaia.html   (blog bem completo com fotos e videos das montanhas e cachoeiras)
- Contato do Condutor Ambiental Local e guia de escalada Evandro Azevedo
(24) 9812-7873   Face 0 fmontanhasdoitatiaia
WWW.montanhasdoitatiaia           evandropatissier@outlook.com
- Informações gerais sobre o PNI (plano de manejo)
Corrêa, M.S. Itatiaia: o caminho das pedras.São Paulo: Metalivros, 2003. 240 p.
Leite, Elton Perillo Ferreira. 2007. O Planalto de Itatiaia. Publit, Rio de Janeiro, 234 p.
- Vídeo editado do parque, com efeitos, mas que mostra bem a paisagem local, da parte alta
http://www.extremos.com.br/noticia/2015/0618_parque_nacional_do_itatiaia_making_of/
- decreto de 1911 – de criação da primeira reserva no Acre
https://uc.socioambiental.org/sites/uc.socioambiental.org/files/Reserva%20Florestal%20AC_Decreto8843_1911.pdf
- Informações sobre a geologia
Ribeiro Filho, E. 1963. Geologia e petrologia dos maciços alcalinos do Itatiaia e Passa Quatro. Boletim FFCL-USP(302). Geologia (22):5-93.
Penalva, F. 1963. Geologia e tectônica da região do Itatiaia (sudeste do Brasil). Boletim FFCL-USP (302). Geologia (22):95-106
Teixeira, Wilson e Linsker, Roberto (Coordenação). 2007. Itatiaia: Sentinela das Alturas. São Paulo:Terra Virgem.

- Sobre o funcionário “Marcão” – homenageado como o nome do Posto 3, da parte alta
http://gvces.com.br/a-volta-do-guarda-parque-e-do-geraiseiro?locale=pt-br
- Sobre a presença de nazistas em Itatiaia
http://rollingstone.uol.com.br/edicao/51/nazismo-tropical#imagem0
https://hinouye.wordpress.com/2014/03/02/a-historia-dos-seabees-da-guarapiranga/
- Sobre a morte de  Juscelino Kubitschek  na Via Dutra
                    https://serqueira.com.br/mapas/itat.htm - sobr JK
http://www.em.com.br/app/noticia/politica/2012/06/03/interna_politica,298041/motorista-do-onibus-que-teria-fechado-o-carro-de-jk-fala-pela-primeira-vez.shtml  sobre o acidente ou não com JK
- Sobre a Somaterapia do “anarquista, escritor e terapeuta” Roberto Freire
http://www.somaterapia.com.br/soma/a-somaterapia/

- Sobre a complexa situação fundiária do Parque, desde os lotes da colônia agrícola e novo limite de 1982 –
e texto do plano de manejo do parque

- sobre o Arquiteto Angelo Alberto Murgel (1907-1978), autor dos projetos do centro de visitantes e demais edificações no parque
LIMA, F. J. M. de. 2003. Tradição e Modernidade no percurso do arquiteto Ângelo Murgel:Parque Nacional do Itatiaia e Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, dois projetos urbanísticos. Publicado no Boletim do Parque Nacional do Itatiaia, vol. 11.
- O Parque Nacional de Itatiaia criou e mantém um boletim específico para divulgar os resultados das pesquisas ali realizadas, disponível no endereço abaixo
http://www.icmbio.gov.br/parnaitatiaia/o-que-fazemos/pesquisa/boletins.html


Wednesday, February 8, 2017

Acampando em família no litoral Norte de Santa Catarina
Mariane Brumatti

Em Abril/2016, quando o Lucas tinha quase 3 anos e a Alice tinha 5 meses, decidimos fazer nosso primeiro acampamento em família. Foi a estreia na nossa barraca tamanho “família” (Azteq Katmandu 3/4, aprovada em tamanho e no teste de impermeabilidade, já que aguentou um baita pé d’água que durou uma noite toda), que tínhamos comprado já fazia um ano. Queríamos um local com atrativos para as crianças, porém que não fosse tão longe. Se algo desse errado, era preciso ser fácil voltar para casa, mesmo de madrugada. O local escolhido foi Itapoá, a praia mais a Norte do litoral catarinense, que o Carlos já tinha ouvido falar e fica a cerca de 130 km de Curitiba (quase 2 horas de viagem).

O camping que escolhemos foi o Camping d’Itapoá (http://macamp.com.br/guia/guia/campings/brasil/santa-catarina/itapoa/camping-d-itapoa), que
só aceita grupos familiares, tem restrição a aparelhos sonoros e não precisa fazer reserva (apenas no Natal). Ele dá acesso a uma praia de tombo que possui uma estreita faixa de areia e um mar com forte corrente de retorno. É preciso muito cuidado com crianças que adoram ficar água, porém é limpa e ótima para brincadeiras na areia e na beirinha da água.



O principal motivo de nossa escolha foi sua localização. Além dele ficar grudado à faixa de areia, com acesso por um portãozinho, exclusivo para os campistas, ele está situado no centro de um trecho de cerca de 1 km de praia sem nenhum tipo de construção a beira mar e com raros acessos, deixando a área quase que exclusiva de quem está no camping.
Viajar com duas crianças pequenas não é simples, ainda mais para acampar! Já é preciso levar muito tralha, então nem consideramos levar comida e acessórios para cozinhar mais do que o necessário (só café da manhã e comidinhas e frutas para beliscar durante o dia). Porém o camping é de fácil acesso (sua entrada fica numa avenida paralela à praia) e fica a uns 4 km do centro da cidade, onde se pode encontrar restaurantes e mercados.

Mas para quem não quer tirar o pé da areia (ou da grama), a estrutura do camping permite isso. Há 4 churrasqueiras em área coberta, com pia, mesas e bancos, um quiosque que vende bebidas, gelo e carvão e muitos pontos com tomadas. Os banheiros, limpos uma vez ao dia, são ótimos! Tipo vestiário (masculino e feminino), com 4 vasos sanitários, 4 chuveiros, bancos e ganchos. Na frente dos banheiros tem uma área com várias pias e bancos em uma área coberta, e do lado de fora tem 2 duchas para ajudar tirar a espessa camada de areia da criançada. Para motorhomes, há locais específicos com água, tomadas e ponto de descarte de água. Há muita sombra por todo a área e quadras de futebol e vôlei.

Sua localização tem dois pontos negativos. O menos pior e ocasional é a existência de um local para eventos a uns 300 metros a Sul do camping. Segundo a proprietária, ultimamente as festas são raras, mas se der azar de pegar alguma (como nós tivemos), dá pra ouvir o som.
E o segundo é que vão construir um condomínio em um terreno vizinho. Ainda está na fase de vendas, mas quando ficar pronto e ocupado vai acabar com o delicioso “isolamento” do trecho de praia que o camping dá acesso.

Na nossa primeira experiência tivemos azar com algumas questões, mas que não impediram que voltássemos para um fim de semana em Fevereiro/2017. E daí foi uma nova experiência!
Na primeira vez, além da chuva e da balada, havia uma quantidade anormal de borrachudos e pernilongos, o que foi avisado pelos proprietários. Era impossível ficar sem repelente e quase nos impedia de ficar fora da barraca, que não podia ter uma fresta aberta que já ficava infestada de insetos.

Já na segunda visita ao camping, pegamos um tempo ótimo, 99% a menos de insetos e sem balada! Resumindo, o lugar é altamente recomendável. Para as crianças, foi uma festa dormir na barraca e aproveitaram demais a praia.

Saturday, February 13, 2016

ACAMPANDO NO SUL DA BAHIARaul Beber – 13/02/2016



            Seguindo de carro a partir de Salvador – BA, acampamos primeiramente na Península de Maraú. Seguindo trilhas de areia transitadas geralmente por quadriciclo ou veículos 4x4 que margeiam a costa, acessadas a partir da estrada de terra BR-030, encontramos alguns pontos de acampamento entre as praias de Saquaira, Taipu de Fora e Barra Grande. É proibido transitar com veículos pela praia, de modo que estacionamos o carro na porção vegetada, embaixo de sombras de inúmeros coqueiros e áreas abertas, com vegetação rasteira para armar duas barracas. 

 Dormimos um total de três noites sem camping e cada dia procurávamos uma nova localização entre as duas praias. Vale destacar a praia de Taipu de Fora pelas incríveis piscinas naturais, formadas na maré baixa. 








Demos sorte de viajar em lua cheia sendo possível acompanhar o nascer da lua a partir do espelho do mar e realizar boas explorações com snorkel em águas quentes, cristalinas e com profundidade variável, de 0,5m a até cerca de 5 metros ao longo de formações de corais e diversas espécies de peixes e algas. 




            Após esses dias bem próximos à natureza e longe de qualquer banho de água doce, decidimos ficar 2 dias em algum camping. Encontramos um muito bom chamado Camping Saquaira, localizado na margem direita da estrada BR-030 (de terra) sentido o sul. Lá pudemos relaxar embaixo de enormes mangueiras e também comer muitas mangas frescas e muito doces que literalmente estavam caindo de maduras. 









 Foi possível também conhecer um pouco da cultura local com o simpático casal dono do camping e acompanhar a construção de um poço para captação de água subterrânea, obtida a apenas 4m de profundidade. A península se encontra entre o Rio da Serra e o Oceano Atlântico com diversas lagoas de água doce e escura com muitos sedimentos e fundo lamoso em seu interior. A lagoa Cassange  foi cenário de um dos dias de acampamento, sendo possível surfar boas ondas na praia a sua frente (Praia de Cassange).







            Após Maraú continuamos a viagem para o distrito de Serra Grande, pertencente ao município de Ilhéus-BA. Ainda na rodovia foi possível contemplar um incrível mirante e acampamos dois dias em um camping localizado na praia na ponta do morro onde o mirante foi feito e ocorrem saltos de parapente.



           Por fim, acampamos duas noites em Cumuruxatiba, um distrito pertencente ao município de Prado no sul da Bahia. A região é turisticamente chamada de Costa das Baleias devido à migração de baleias jubarte, durante os meses de julho a novembro, que usam as águas quentes da região para reprodução e amamentação. Montamos acampamento sem camping, embaixo de grandes amendoeiras na areia da praia. 

O acesso é através da estrada que leva as pousadas da praia do Rio do Peixe. 








Próximo às barracas, na ponta esquerda da praia, é possível avistar grandes falésias pertencentes à Formação Barreiras (Bigarella, 1975; Lima, 2002), com predomínio de estratificações plano paralelas de areia, silte e argila de cores que variam de branco, amarelo a vermelho escuro, bastante alteradas. Existe muitos fragmentos de crosta ferruginosa pela praia, rolados pelos movimentos de maré de diversos tamanhos (1cm - 30cm) com porções na parte inferior da parede das falésias que mostram a fácies sedimentar pertencentes. Caminhando ao após a curva formada pela falésia é possível observar belas formações formadas pela ação intempérica do vento chuva e oceano em rochas mais arenosas e brancas, gerando formas que lembram cidades de desertos no oriente médio de cerca de 30cm. A partir de trilhas é possível acessar o topo das falésias e observar a extensa costa das baleias e também a triste observação da destruição da vegetação de encosta as falésias, o que acelera a erosão das escarpas. 




 Referências

LIMA, Carlos César Uchôa de; BOAS, Geraldo da Silva Vilas  e  BEZERRA, Francisco Hilário Rego. Faciologia e análise tectônica preliminar da Formação Barreiras no litoral sul do estado da Bahia, Brasil. Geol. USP, Sér. cient. [online]. 2006, vol.6, n.2 [citado  2016-02-13], pp. 71-80 . Disponível em: <http://ppegeo.igc.usp.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1519-874X2006000300009&lng=pt&nrm=iso>. ISSN 1519-874X.  http://dx.doi.org/10.5327/S1519-874X2006000300009.

 BIGARELLA, J. J. The Barreiras Group in Northeastern Brazil. Anais da Academia Brasileira de Ciências, v. 47, p. 365-393, 1975. Suplemento.

LIMA, C. C. U. Caracterização sedimentológica e aspectos neotectônicos do Grupo Barreiras no litoral sul do Estado da Bahia. 2002. 141 f. Tese (Doutorado) - Instituto de Geociências, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2002.


Sunday, January 24, 2016

Acampar meio à mata de restinga, frente ao mar, longe da civilização – Camping Caracol, Picinguaba (SP).

Em janeiro de 2016, retornamos ao Camping Caracol, na Praia da Fazenda, em Picinguaba, (Ubatuba, SP).
Camping Caracol em Ubatuba
Seria muito bom se tivéssemos mais opções de campings, como o Caracol (http://www.campingcaracol.com.br/), para quem procura acampar como forma de se conectar à natureza. O nome Caracol veio da proposta original, de disposição dos lotes ao redor de uma estrada em espiral, algo em parte modificado.
Há inúmeros campings bons em Ubatuba e outras localidades dessa maravilha que é o litoral SP-RJ, entrecortado de baías e costões. Mas em nenhum será encontrada a paz que se tem nesse camping.
Deve-se perguntar o porquê do litoral norte de São Paulo ser diferente do sul do Estado, caracterizado por longas e retilíneas praias, com pouco ou nenhum costão rochoso. Essa parte norte do nosso litoral, juntamente com a contígua no Rio de Janeiro, vem sofrendo ou sofreu abatimento em escala continental, por isso o mar avança no sentido da Serra do Mar e entalha, na rocha, baias e diferentes praias, ao contrário do litoral Sul de São Paulo, que vem sendo soerguido, expondo sedimentos que antes estavam no fundo do mar. É como se fosse uma gangorra gigante, com seu eixo na altura do Guarujá: o sudoeste se ergue, enquanto o nordeste se rebaixa, proporcionando essa contrastante diferença de praias.
Por se encontrar dentro do Parque Estadual da Serra do Mar, a entrada de carro no camping tem que ser autorizada previamente, por isso, é necessário agendar pelos e-mails mayli@campingcaracol.com.br e campingcaracol@gmail.com. O acesso de carros à Praia da Fazenda não é permitido e a entrada é vigiada 24h pelos seguranças do parque.
O ideal é passar dias no camping, sem sair, para entrar em sintonia com a natureza, entrar no clima de um ócio agradável e prazeroso. É tranquilizador, quase um remédio, ficar no ‘sem fazer nada’, ver as famílias com suas crianças sentadas, brincando, feito índios.
Por não ter energia elétrica, uma dificuldade é conservar alimentos, mas esperamos que o Mayr  resolva o fornecimento diário de gelo. Aí daria para ficar despreocupado, esquecer-se de usar o carro.
O Camping Caracol proporciona acampar meio às árvores e bem em frente à praia.
Para quem desejar um peixe, camarão e lula, da para adquirir perto, mas terá que ir de carro, até a Praia do Estaleiro, na Peixaria e Restaurante Raízes do Jardel, com excelente comida e atendimento.
Passa-se dias camping Caracol, sem internet, com más conexões de celular (pega bem apenas Vivo e Claro) e sem televisão, o que aumenta a disposição para leitura. A Camila e sua amiga Loli leram quatro livros cada uma em uma semana!
Sala de leitura do Camping Caracol...
Vejo com bons olhos o retorno e aumento do interesse por acampar, não como opção mais em conta de se fazer turismo, mas sim por quem procura maior contato com a natureza.
Acampar proporciona também mais contato com as pessoas, conhecer gente nova, com os mesmos interesses, o que por vezes não é proporcionado em uma pousada, onde as pessoas se trancam em seus apartamentos.

Mayr (em pé) e Eli (sentada e apontando para a câmera) – proprietários e responsáveis pela manutenção das condições especiais do camping. O bom de acampar é a possibilidade de conhecer novas pessoas, como as nossas sorridentes vizinhas.
Outra questão nova nos acampamentos, a ser revisada, é o cardápio das refeições – chega de miojo!!! Da para inovar, sim!!! E muito!
Yakissoba - uma boa opção de cardápio no acampamento.
O Camping Caracol tem uma pequena cozinha para quem não tem a sua própria, a qual está sempre limpa e organizada.
Banheiros limpos, nos feriados, onde atinge sua capacidade máxima de 180 pessoas, para as 50 quadras disponíveis, a limpeza é constante, praticamente 24 h por dia. A luz é fornecida por gerador e agradável banho quente através de aquecedor a gás. Não há energia elétrica no camping.
Mas para não dizer que não falamos, ou escrevemos, das pedras, seguem algumas informações sobre a geologia.
No canto sudoeste da Praia da Fazenda afloram rochas graníticas, que são rochas ígneas, formadas pela cristalização de quartzo, feldspato e mica, após resfriamento do magma, a dezenas de quilômetros de profundidade na crosta. Notem como os grandes blocos têm a típica forma arredondada... Sabe por quê? Não é por rolamento, pois esses blocos pouco ou nada se movimentaram.
Blocos arredondados de granito no canto sudoeste da Praia da Fazenda (Núcleo Picinguaba do Parque Estadual da Serra do Mar). Os granitos formam-se pelo resfriamento de magma, a dezenas de quilômetros de profundidade, através de cristalização lenta. Como explicar então a presença dessas rochas na superfície? Explica-se pelo contínuo e longo processo de erosão, com a remoção das rochas de cima, até o afloramento das que se encontravam em profundidade.
O granito, nessa ponta da praia, apresenta estruturas interessantes, com orientação dos minerais, principalmente as micas, na forma de dobras – é o que chamamos foliação, resultado de deformações que sofreram.
Deformações e orientação dos minerais na forma de dobras (detalhes abaixo) nos minerais do granito.

Detalhe das dobras na rocha granítica, a qual, devido às transformações, deixaria de ser um granito propriamente dito e seria melhor definido como um gnaisse, que é um granito metamorfizado, mas nem todo ele encontra-se assim, deformado.
Um olhar mais atento chamará a atenção para um corpo vertical, parecendo um muro, de rocha mais escura, verde escuro, quase preta, chamados de diques.
O corpo granítico é cortado por corpos verticais, chamados de diques, de rocha mais escura – o diabásio.
Os diques de diabásio são comuns nas regiões costeiras e ao longo da Serra do Mar e, no geral, apresentam orientação noroeste, perpendicular à toda margem da costa do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro. Essas estruturas estão relacionadas à abertura do Oceano Atlântico e separação entre a América do Sul e África, inciada por volta de 130 milhões de anos atrás, idade provável do magmatismo do diabásio no presente dique. Com os intensos esforços tectônicos, fraturas se abriram na crosta e, através delas, subiram grandes quantidades de magma que, resfriado, originaram o diabásio.
Notem como o diabásio engloba a rocha granítica encaixante, mais antiga, o que demonstra bem o processo de magmatismo e como o material era fluido, plástico. Essa observação, aparentemente óbvia, mudou a forma de pensar a origem das rochas na Terra. Ao final do século XVIII, predominavam as ideias do alemão Abraham G. Werner (1749-1817), cujas aulas contou com a participação do santista José Bonifácio (1763-1838). Segundo Werner, grande parte das rochas do planeta tiveram origem em um imenso oceano primordial. A partir desse grande oceano, os granitos, basaltos e diabásios  teriam se precipitado e, por isso, essa teoria recebeu o nome de Neptunismo, em referência ao Deus do Mar – Neptuno. Naquela época, essa ideia, criada sem observação da natureza, de forma quase filosófica, vinda apenas das reflexões que surgiam de mentes brilhantes, teve grande aceitação pela igreja católica, por remeter à ideia do Dilúvio, apesar de Werner não fazer referência direta ao evento bíblico.
As rochas então formadas, nesse grande oceano primitivo, eram tidas como “primárias”. A ação erosiva, seguida de deposição, daria origem a outras rochas, mais novas, as secundárias. Foram encontrados sedimentos sobre as rochas secundárias, pela lógica, definidas então como terciárias, mas a observação da natureza demonstrava também a presença de sedimentos mais novos ainda, sobre os terciários, então seriam quaternários. Essa sequência de definição dos pacotes rochosos seria a explicação da definição dos termos Terciário e Quaternário na escala do Tempo Geológico. Por ter como base o Neptunismo, concepção não mais aceita hoje, os termos foram abolidos por comissões do IUGS – International Union of Geological Science e substituídos, respectivamente, por Paleógeno e Neógeno. Por pressão dos “quaternaristas” – pesquisadores que focam seus estudos nesse intervalo de tempo, o termo “Quaternário” voltou formalmente à escala do Tempo Geológico, e lá permanece.
O que é interessante na Ciência, longe dessa chegar mesmo que próxima à verdade absoluta, é a busca incessante pela mesma. A Ciência moderna tem por base hipóteses que devem ser testadas. Muitas delas sobrevivem por não existir uma melhor...Porém, a observação e a demonstração das evidências são fundamentais para suas formulações e comprovações. Como explicar então que a formação de um granito ou basalto se daria a partir da água do mar? Não havia – e não há – nenhuma evidência disso!
James Hutton, motivado por um momento especial que vivia na Escócia, conhecido como The Scottish Enligtenment, junto com outros grandes pensadores, como Adam Smith, pai da Economia Moderna, se dedicava a entender a natureza. Duas observações suas foram fundamentais para revolucionar as presentes ideias sobre a evolução geológica do planeta, motivo pelo qual ele é considerado o Pai da Geologia Moderna. Uma delas veio de suas observações de Siccar Point, na região costeira a leste de Edinburgo, na Escócia, onde resolveu, para aquele momento, questão primordial para o raciocínio geológico – a ideia do Tempo Profundo, segundo a qual, para a Terra, não teria começo e nem fim. Essa forma de pensar foi fundamental para as ideias de Darwin referentes à Seleção Natural. Outra ideia de Hutton foi a constatação de que rochas, como o granito, não seriam originadas a partir da precipitação da água do mar, como preconizava o modelo Neptunista, e sim, originada pelo resfriamento de magma nas profundezas da crosta terrestre! Formulando, assim, a nova teoria, denominada Plutonismo, com referência a Plutão – o Deus das profundezas.
A origem das rochas magmáticas (plutônicas) por resfriamento e solidificação do magma, e a intrusão em rochas mais antigas, é amplamente aceito e comprovado por inúmeras pesquisas científicas modernas. Mas aquela exposição de rochas que James Hutton observou, em suas andanças, deixava isso de forma clara, como a observada nessa ponta da praia da Fazenda.
Desenho feito por James Hutton, a partir de suas observações em Tayside (Escócia), que mostra como um corpo de rocha magmática, no caso um dique, se encaixa em rochas mais antigas, algo muito semelhante ao observado na ponta sudeste da Praia da Fazenda, perto do Camping Caracol.
Excelente vídeo da BBC sobre James Hutton, e dos locais que estudou, encontra-se disponível no endereço da internethttps://www.youtube.com/watch?v=8lsnSqYa1UU, para quem deseja conhecer mais sobre as ideias de James Hutton nos locais de seus estudos.
O diabásio, que constitui os diques que cortam rochas graníticas mais antigas da região costeira, é uma rocha que resiste menos ao intemperismo, tão intenso em nossa região tropical. A rocha alterada é mais fácil de ser erodida, por isso os rios se encaixam e certa entradas na costa se formam, como a Praia das Conchas, que tem acesso por trilha que se inicia ao lado da bica de água dessa ponta da praia da Fazenda. Seguindo por esta mesma trilha, por mais 20 minutos de caminhada, chega-se à Praia Brava da Almada, uma das mais bonitas do litoral norte paulista.
Praia das Conchas, acessível por trilha (20 minutos) a partir da bica de água da ponta sudoeste da Praia da Fazenda. Essa baía se formou pelo entalhamento de outro dique de diabásio, também de direção noroeste, rocha esta que, por se alterar mais, é mais facilmente erodida, dando origem à pequena baía e ao vale que chega nela.
No caminho para a praia das Conchas, observa-se outra estrutura parecida com o dique, só que menor e preenchida por outro material - Quartzo. Por ser menor, é chamada de veio, mas é muito semelhante ao dique.

Veios de Quartzo que cortam a rocha granítica, no caminho da praia das Conchas.
O diabásio, na praia das Conchas, apresenta uma interessante estrutura de alteração, na forma de camadas concêntricas, feito uma cebola, chamada de esfoliação esferoidal. Esse tipo de alteração ocorre devido à ação do intemperismo através das fraturas, o que torna os blocos arredondados, não pela movimentação deles, mas pela alteração, mais intensa nos vértices (onde a superfície de contato com a água é maior), intermediária das arestas e menor nas faces.
Processo de alteração do diabásio. conhecido como esfoliação esferoidal, com o aspecto acebolado da rocha, por se desfazer em “camadas”.
Através de projeto em desenvolvimento no Instituto de Geociências da USP – o Geohereditas – Núcleo de Apoio à Pesquisa em Patrimônio Geológico e Geoturismo, várias pesquisas pós-graduação vêm sendo desenvolvidas para melhor entender a evolução geológica da região costeira e divulgar essas informações para a sociedade, com treinamento de guias de turismo locais. Por meio desse projeto, logo logo, informações sobre a geologia da região serão divulgados através de painéis. Parte da geologia dessa trilha já foi divulgada (http://www.igc.usp.br/?id=661) e interpretações geológicas de outras trilhas podem ser consultadas no endereço http://www.igc.usp.br/index.php?id=616
Mas estávamos todos de férias, lemos muito, passeamos e tivemos sorte com o Sol, apenas nos últimos dias, pegamos chuvas.

Não se pode deixar de lado a oportunidade de caminhar pelas pedregosas ruas de Paraty, cada vez mais linda.




                                                              Acho que elas gostaram, não?

Dicas de trilhas em Picinguaba
http://www.ambiente.sp.gov.br/parque-serra-do-mar-nucleo-picinguaba/principais-atrativos/


Camping Caracol – Praia da Fazenda, Pinciguaba (Ubatuba, SP) Agendamento prévio pelos e-mails mayli@campingcaracol.com.br e campingcaracol@gmail.com
agradecimentos ao Prof. Elias Araujo pela revisão e sugestões.